Gerir participações sociais é, antes de mais, gerir relações de longo prazo — com gestores, com outros acionistas, com o próprio negócio. Por isso, os critérios que aplicamos antes de assumir uma posição vão além dos números: procuram entender se existe alinhamento genuíno de interesses entre quem gere e quem detém capital.
Três critérios pesam de forma consistente na nossa avaliação. Primeiro, a qualidade e independência da governação — um conselho capaz de questionar a gestão executiva é, na nossa experiência, um dos melhores indicadores de resiliência de longo prazo. Segundo, a transparência na comunicação com acionistas, sobretudo quando os resultados não são os esperados. Terceiro, o horizonte temporal da própria gestão: negócios geridos para o trimestre seguinte tendem a tomar decisões estruturalmente diferentes dos geridos para a década seguinte.
Nenhum destes critérios é, isoladamente, garantia de sucesso. Mas a combinação dos três reduz de forma material o risco de surpresas desagradáveis — que é, no fundo, o que a gestão de participações sociais mais procura evitar antes de procurar multiplicar capital.

